
sexta-feira, 29 de junho de 2007
planos? que planos?

Hoje aquelas milhares de borboletas que estavam na cabeceira da minha cama me abandonaram...Somente uma ficou a me cutucar, fazendo- me pensar na vida e no que acabamos por deixar de fazer durante toda ela...
Acabei notando que não estou conseguindo mais fazer planos e tenho medo de fazê-los novamente. Na verdade, TORNEI-ME avessa a eles. Cheguei à triste conclusão de que os planos podem ser altamente perigosos. Podem nos enganar... podem nos fazer temer a vontade de possuir algo um dia...Possuir casas, possuir negócios, possuir amores, possuir filhos, possuir sucesso, dignidade, possuir...
Um plano vem sempre seguido da esperança, do desejo, dos sonhos e, como se não bastasse, pra não perder o costume das coisas ameaçadoras da vida, vem sempre escoltado pelo medo, pela insegurança e pela incerteza.
Quando traçamos um plano e no fim ele não se concretiza, pensamos sempre nas falhas que nos “atropelaram” no meio do caminho traçado. Pensamos logo: onde foi que eu errei? Por isso o plano é malvado. Ele maltrata, ele fere... Crava seus dentes na jugular de quem o traçou... Sem dó e sem um pingo de piedade.
Contudo, apesar de toda sua perversa trajetória, tem uma coisa que o plano não faz. Uma só coisa que esse nefário, cruel e atroz não consegue fazer: um plano não é suficientemente mal o bastante para se tornar um autocida. Ele se camufla de maldade, de iniqüidade, mas, dificilmente, ele pode se matar. Não é costume ver por aí enterros de "suicidas - planos"... Não se bebem um “cadáver-plano”, e nem se enterram um “moribundo-plano”.
Essa é a verdade: cansei de fazê-los...tenho medo de pensá-los...de traçá-los...de cortejá-los...de amá-los. Mas, eles estão aqui, bem arquivados, retidos e memorizados, à espera, ansiosa, de um “insight” capaz de reanimá-los. E de trazê-los à tona mais uma vez...
quarta-feira, 27 de junho de 2007
procura-se um emprego!

...por vezes, torna-se bom devanear
terça-feira, 26 de junho de 2007
a canção do delirante Aengus...

eu fui para uma floresta de nogueiras,
porque minha mente estava inquieta,
eu colhi e limpei algumas nozes,
e apanhei uma cereja, curvando o seu fino ramo;
e, quando as claras mariposas estavam voando,
parecendo pequenas estrelas, flutuando erráticas,
eu lancei framboesas, como gotas, em um riacho
e capturei uma pequena truta prateada.
quando eu a coloquei no chão
e fui soprar para reativar as chamas,
alguma coisa moveu-se e eu pude ouvir,
e, alguém me chamou pelo meu nome:
apareceu-me uma jovem, brilhando suavemente
com flores de maçãs nos cabelos
ela me chamou pelo meu nome e correu
e desapareceu no ar, como um brilho mais forte.
talvez eu esteja cansado de vagar em meus caminhos
por tantas terras cheias de cavernas e colinas,
eu vou encontrar o lugar para onde ela se foi,
e beijar seus lábios e segurar suas mãos;
caminharemos entre coloridas folhagens,
e ficaremos juntos até o tempo do fim do tempo,
colhendo as prateadas maçãs da lua,
as douradas maçãs do sol.
Yeats
hoje vai ser tudo do avesso: depois desse sonho bom, vou dormir um sono.
boa noite...
uma verdade...
segunda-feira, 25 de junho de 2007
para alguém que amo...
Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo como se amam certas coisas escuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, escondida, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o estreitado aroma que subiu da terra.
Te amo sem saber como, nem quando, nem de onde,
te amo diretamente, sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
a não ser deste modo em que não sou nem és,
tão perto que tua mão sobre meu peito é minha,
tão perto que se fecham teus olhos com meu sono.
o amor...
em beijos, leito e pão. Amor que pode ser eterno
mas pode ser fugaz. Amor que se quer liberar
para seguir amando. Amor divinizado que vem vindo.
Amor divinizado que se vai. Pablo Neruda*
*onde acaba e começa, sempre, os meus dias.
amo demais esse Neruda que colocava a caneta entre os dedos da alma para escrever suas poesias...
domingo, 24 de junho de 2007
sábado, 23 de junho de 2007
e por vezes...

David Mourão-Ferreira e por vezes as noites duram meses
e por vezes os meses oceanos
e por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos. e por vezes encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
e por vezes fingimos que lembramos
e por vezes lembramos que por vezes ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos e por vezes sorrimos ou choramos
e por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos
sexta-feira, 22 de junho de 2007
segunda-feira, 18 de junho de 2007
não sei...

Não sei se era aqui que era suposto chegar, se era este o lugar, se era este o tempo. Cheguei à esquina onde a vida dobra, à foz dos atalhos onde os caminhos novos se fazem e sei que tenho pouco tempo para dar o primeiro passo, o derradeiro, aquele que fará com que tudo o que fica para trás faça sentido, mesmo que sejam só atalhos menores. Não tenho tempo para pensar e o precipício que se adivinha em cada passo errado faz-me engolir em seco, faz-me fechar os punhos com muita força, faz-me inspirar lentamente para conseguir manter convicções.
Felisbela Fonseca
(aiai..."se esta noite formos vento"...minha maior inspiração para os dias mais tristes e cinzentos...)
domingo, 17 de junho de 2007
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